Preceptor das almas

“Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra
autoridade que a sua palavra; ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda; sua
autoridade decorria da natureza excepcional de seu Espírito e de sua missão divina...”
(Capítulo 1, item 4.)
Ele andou pelos caminhos terrenos desprovido de qualquer apego,
consideração ou aplausos.
Ensinou a excelência da mensagem do amor em sua grandeza superlativa e, ao
mesmo tempo, percorreu os caminhos, desacompanhado de seus pais ou parentes,
solicitando, todavia, a presença espontânea de amigos amorosos que lhes
absorveram as lições inesquecíveis.
Não tinha sequer onde reclinar a cabeça, despojado de qualquer bem material;
nunca tomava decisões precipitadas em face de atitudes positivas ou negativas que
aconteciam em seu redor, mas sempre reflexionava com sua estrutura divina, pois
tinha plena consciência de sua missão terrena em favor da educação de uma
humanidade ignorante e sofredora.
Ele afirmava que todos deveriam ser vistos como irmãos ou amigos, porque
sabia que em potencial poderiam vir a ser pais, filhos, cônjuges ou irmãos, visto que
é da lei universal a reencarnação e a caminhada a um só rebanho e a um só Pastor.
Independente de tudo e de todos, conhecia a estrada a ser percorrida, pois
estava seguro em Si mesmo; dessa forma, fez sua trajetória livre de convenções e
padrões preestabelecidos, não aceitando preconceitos de qualquer matiz, porquanto
sabia transitar com grandeza e dignidade pelos caminhos do mundo. Criaturamagnífica, retinha na mente poderes que lhe permitiam manipular desde a
intimidade da matéria até as essências mais sutis da alma humana.
Homem generoso, sempre voltado à Natureza, com a qual se integrava em
plenitude.
Amava os lírios dos campos, os pássaros dos céus, os montes arborizados, as
brisas da manhã, as águas dos lagos, os trigais, e a própria natureza divina que existe
em tudo e em todos.
Ele exemplificou as belezas naturais terrenas, comparando-as com o Reino
dos Céus, fazendo dessa forma um elo divino, isto é, uma ligação de amor entre os
Céus e a Terra.
Ensinou-nos a respeitar inicialmente as coisas da Terra, para que
pudéssemos, então, amar as coisas da Vida Maior.
Aparentemente fracassado na cruz, mostrou-nos logo após que venceu o
mundo em todos os aspectos.
Jesus podia ―ver‖ com absoluta facilidade por trás das cortinas do teatro da
vida humana e tinha a nítida percepção das intenções mais secretas.
Os seres humanos, para Jesus, eram verdadeiros ―livros abertos‖: seu olhar
penetrava o âmago das almas, onde conseguia alcançar seus pontos fracos.
Não sufocava com a força de sua personalidade aqueles que O procuravam;
ao contrário, afirmava: ‗Tudo depende de ti‖, ou mesmo, ―Atua fé te curou‖. Em
outras ocasiões, aconselhava-os:
―Vai e não peques mais‖, convidando-os para uma vida autêntica e
oferecendo apoio e incentivo para construírem a ―Casa sobre a rocha‖.
Foi Mestre por excelência, porque se manteve longe dos excessos nos
relacionamentos: do excesso de ―convites‖, que promove desmedido envolvimento
pessoal, dificultando a ajuda real, e do excesso de ―indiferença‖, que provoca falta
de compaixão e posicionamento frio.
Preceptor das Almas, levou-nos à reflexão íntima, ou melhor, à
interiorização de nós mesmos, quando assegurou: ―Eu estou no Pai e o Pai está em mim‖,
formalizando assim a necessidade do nosso autoconhecimento como base
vital para alcançarmos o Reino do Céus.
Sigamos Jesus, Ele é a Luz do Mundo, o Sol Fulgurante que aquece as almas
do frio interior, da desilusão e da desesperança.
Busquemos Jesus agora e sempre, porque só assim estaremos caminhando
ao encontro da paz tão almejada.



Grão de mostarda
“... Jesus lhes respondeu: É por causa da vossa incredulidade. Porque eu vô-lo digo em
verdade: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daqui
para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.”
(Capítulo 19, item 1.)
Fé é sentimento instintivo que nasce com o espírito. Crença inata, impulso
íntimo fundamentado na ―certeza absoluta‖ de que o Poder Divino, em toda e
qualquer situação, está sempre promovendo e ampliando nosso crescimento
pessoal.
Essa convicção inabalável na ―Sabedoria Divina‖, que é a própria Inteligência
que rege a tudo e a todos, atinge sua plenitude nas criaturas mais evoluídas. Tais
valores se encontravam inicialmente em estado embriomírio e, ao longo das
encarnações sucessivas, estruturaram-se entre as experiências do sentimento e do
raciocínio.
Como em todas as manifestações de progresso, também esse impulso intuitivo
do ser humano ligado às faixas da fé é resultado de um desenvolvimento lento e
progressivo.
Por exemplo, a criança não pode manifestar a habilidade de falar, sem ter
atravessado as fases básicas da fonética, isto é, resmungar, balbuciar, soletrar e
silabar.
Desse modo, o ser imaturo, apesar de criado com esse sentimento instintivo da
fé, também atravessa um vasto período de desenvolvimento, que não se dá por
mudanças abruptas, mas por uma série de sensações e percepções, às vezes mais oumenos demoradas, conforme a vontade e a determinação do próprio espírito.
Conseqüentemente, a fé plena não é só conquista repentina que aparece
quando queremos; é também trabalho desenvolvido e assimilado ao longo do
tempo.
Ela pulsa em todas as criaturas vivas e agita-se nas menores criações do
Universo.
Encontra-se na renovação do mineral rompido, que se restaura a si mesmo;
aparece no fototropismo das plantas em crescimento; impulsiona o ―relógio
interno‖, que incita as aves a efetuar suas migrações, quase na mesma época em
todos os anos; aguça o ―regresso ao lar‖, ou seja, estrutura a capacidade de
orientação e localização observada em certos animais domésticos.
A fé também estimula o homem selvagem a nutrir a crença na existência de
um ser supremo, que eles adoram nos fenômenos e elementos da Natureza.
Entendemos, dessa forma, que a fé não equivale a uma ―muleta vantajosa‖
que nos ajuda somente em nossas etapas difíceis, nem ―providências de última
hora‖ para alcançarmos nossos caprichos imediatistas. Ter fé é auscultar e perceber
as ―verdadeiras intenções‖ da ação divina em nós e, acima de tudo, é o discerni-
mento de que tudo está absolutamente certo.
Nada está errado conosco, pois o que chamamos de ―imperfeição‖ no
mundo são apenas as lições não aprendidas ou não entendidas, que precisam ser
recapituladas, a fim de que possamos nos conhecer melhor, assim como as leis que
regem nossa existência.
Ter fé em Deus é reconhecer que a Natureza, ―Arte Divina‖, garante nossa
própria evolução. Mesmo quando tudo pareça ruir em nossa volta, é ainda a fé
amplamente desenvolvida que nos dará a certeza de que, mesmo assim, estaremos
sempre ganhando, ainda que momentaneamente não possamos decifrar o ganho
com clareza e nitidez.
No Universo nada existe que não tenha sua razão de ser. Tudo aquilo que
parece desastroso e negativo em nossa existência, nada mais é que a vida
articulando caminhos, para que possamos chegar onde estão nossos reais anseios
de progresso, felicidade e prazer.A criatura que aprendeu a ver o encadear dos fatos de sua vida, além de
cooperar e fluir com ela, percebe que aquilo que lhe parecia negativo era apenas um
―caminho preparatório‖ para alcançar posteriormente um Bem Maior e definitivo
para si mesma.
As grandes tragédias não significam castigos e punições, porém maiores
possibilidades futuras para a obtenção de uma melhoria de vida íntima e,
paralelamente, de plenitude existencial.
Em face dessas realidades, a fé aperfeiçoada faz com que possamos avaliar
em todas as ocorrências uma constante renovação enriquecedora. Quando todas as
árvores estão despidas, é que se inicia um novo ciclo em que elas reúnem suas
forças embrionárias e instintivas da fé para novamente se vestir de folhas, flores e
frutos.
Tudo na Natureza obedece a ―ritmos‖. São processos da vida em ação. No
final de um ciclo, nossa energia declina para, logo em seguida, reunirmos mais
forças para uma nova incursão renovadora.
A cada nova etapa de crescimento, talvez nos sintamos temerosos e
inseguros, a exemplo de certos animais que perdem momentaneamente seus
revestimentos protetores. Depois, no entanto, nos sentiremos melhor adaptados,
ao nos cobrirmos com elementos e estruturas mais eficientes, e que nos permitam
prosseguir mais ajustados em nosso novo estágio evolutivo. Assim acontece com
todos. Seremos atingidos por um ―sereno bem-estar‖ quando visualizarmos
antecipadamente as porvindouras oportunidades de reconforto, prosperidade e
segurança que a vida nos trará após atravessarmos os ―ciclos amargos‖ do
renascimento interior.
A confiança em que tudo está justo e certo e em que não há nada a fazer, a
não ser melhorar o nosso próprio modo de ver e entender as coisas, alicerça-se nas
palavras de Jesus: ―até os fios de cabelo da nossa cabeça estão todos contados‖16
. É
a convicção perfeitamente ajustada a uma compreensão ilimitada dos desígnios
infalíveis e corretos da Providência Divina.
Em muitas ocasiões, somente usando os recursos interpretativos da fé, nosgrandes choques e tragédias, é que podemos notar o ―processo de atualização‖ que
a vida nos oferece, porquanto o significado de um acontecimento é captado em
plenitude apenas quando ―decifrado‖.
É o único caminho que nos permitirá encontrar a verdadeira compreensão e
entendimento dos fatos em si.
Entretanto, quando não traduzimos no decorrer dos acontecimentos nossos
episódios existenciais, sentimos que nossa vida vai-se tornando inexpressiva, sem
nenhum sentido, porque vamos perdendo contato com as mensagens silenciosas e
sábias que a vida nos endereça.
Aqui estão algumas interpretações de fatos aparentemente negativos, quando
na realidade são profundamente positivos:
— Para vencermos a doença é necessário interpretar o que o sintoma quer-
nos alertar sobre o que precisamos fazer ou mudar para harmonizar nosso
psiquismo descontrolado.
— Sucessivos acontecimentos de ―abandono‖ e ―decepção‖ em nossa vida
são mensagens silenciosas alertando-nos que nosso ―grau de ilusão‖ ultrapassou os
limites permitidos.
— Perda de criaturas queridas pode ser a lição que nos vai livrar de atitudes
possessivas e de apegos patológicos, tanto para quem parte como para quem fica.
— Alucinação e loucura podem nos adestrar para maiores valorizações da
realidade, afastando-nos de fantasias e aparências.
— Vícios de qualquer matiz podem estabelecer nos indivíduos normas
corretivas na vida interior, a fim de que aprendam a lidar e a controlar melhor suas
emoções e sentimentos.
— Traição afetiva pode nos exercitar na fiscalização de nosso ―grau de
confiabilidade‖ e ―vulnerabilidade‖ perante os outros.
— Desprezo ou desconsideração podem ser emissões educativas,
impulsionando-nos a um maior amor a nós próprios.
O ser humano de fé não é crédulo nem fanático; é antes o indivíduo que
distingue os lucros e vantagens inseridos nos processos da vida. Compreende a
seqüência de fatos interconectados aprimorando-se paulatinamente para intensificarsua estabilidade e harmonia e, como conseqüência, seu engrandecimento espiritual.
Em síntese, a fé como força instintiva da alma guarda em si possibilidades
transcendentes e poderes infinitos. Ao ampliá-la, o homem se potencializa
vigorosamente, fluindo e contribuindo com o próprio ritmo da vida como um
todo.
O ―grão de mostarda‖, na comparação de Jesus Cristo, representa a
minúscula semente como sendo o ―impulso imanente‖ que começa a se formar no
―princípio inteligente‖, nos primeiros degraus dos reinos da Natureza. Ao longo
dos tempos, se transmuta, desenvolvendo potencialidades inatas, e, futuramente, se
transforma num ser completo e de ações poderosas.
Devemos compreender, por fim, que o ―poder da fé‖ realmente ―transporta
montanhas‖ e que para o espírito nada é inacessível, pois, quando percebe a razão
de tudo e interpreta com exatidão a sabedoria de Deus, a vida para ele não tem
fronteiras.
Ao ampliarmos nossa consciência na fé, sentiremos uma inefável serenidade
íntima, porque conseguimos entender perfeitamente que, no Universo, tudo está
―como deve ser‖; não existe atraso nem erro, somente a manutenção e a segurança
do ―Poder Divino‖ garantindo a estabilidade e o aperfeiçoamento de suas criaturas
e criações.

Preconceito
Capítulo 16, item 4
“... Tendo-o visto, lhe disse: Zaqueu, apressai-vos em descer, porque é preciso que eu me aloje
hoje em vossa casa. Zaqueu desceu logo e o recebeu com alegria. Vendo isso, todos murmuraram
dizendo: Ele foi alojar-se na casa de um homem de má vida...”

Diz-se que um indivíduo atingiu um bom nível ético quando pensa por si
mesmo em termos gerais e críticos; quando dirige sua conduta conforme julgar
correto, demonstrando assim independência interior; quando é autônomo para
definir o bem e o mal, sem seguir fórmulas sociais; e, por fim, quando não é
escravo das suas crenças inconscientes, porque faz constante exercício de
autoconhecimento.
Por nosso quadro de valores ter sido adquirido de forma não vivencial é que
nosso mundo íntimo está repleto de preconceitos e nosso nível ético encontra-se
distante da realidade.
Ter preconceitos é, pois, assimilar as coisas com julgamento preestabelecido,
fundamentado na opinião dos outros. Os preconceitos são as raízes de nossa
infelicidade e sofrimento neurótico, pois deterioram nossa visão da vida como uma
lasca que inflama a área de nosso corpo em que se aloja.
Aceitamos esses valores dos adultos com quem convivemos, de uma maneira e
forma tão sutis que nem percebemos. Basta a criança observar um comentário
sobre a sexualidade de alguém, ou a religião professada pelos vizinhos, para
assimilar idéias e normas vivenciadas pelo adulto que promove a crítica. De
maneira distorcida, baseia-se no julgamento de outrem, quando é válido somente o
autojulgamento, apoiado sempre na análise dos fatos como realmente eles são.
Qual seria então tua visão atual a respeito do sexo, religião, raça, velhice,
nação, política e outras tantas? Seriam formadas unicamente sem a influência dos
outros? Será que tua forma de ver a tudo e a todos não estaria repleta de obstáculos
formados pelos teus conceitos preestabelecidos?
Por não estares atento ao processo da vida em ti, é que precisas do juízo dos
outros, tornando-te assim dependente e incapacitado diante de tuas condutas.
Jesus de Nazaré demonstrou ser plenamente imune a qualquer influência
alheia quanto a seus sentimentos e sentidos de vida, revelando isso em várias
ocorrências de seu messiado terreno.
Ao visitar a casa de Zaqueu, não deu a mínima importância aos murmúrios
maldizentes das criaturas de estrutura psicológica infantil, pois sabia caminhar
discernindo por si mesmo.
Toda alma superior tem um sistema de valores não baseado em regras
rígidas; avalia os indivíduos, atos e atitudes com seu senso interior, sentimentos,
emoções e percepções intuitivas, tendo assim apreciações e comportamentos
peculiares. Para ela, cada situação é sempre nova e cada pessoa é sempre um
mundo à parte.
Em verdade, Cristo veio para os doentes que têm a coragem de reconhecer-
se como tais, não porém para os sãos, ou para aqueles que se mascaram. Zaqueu,
vencendo os próprios conceitos inadequados de chefe dos publicanos, derrubou as
barreiras do personalismo elitista e rendeu-se à mensagem da Boa Nova.
Despojou-se do velho mundo que detinha na estrutura de sua personalidade
e renovou-se com conceitos de vida imortal, aceitando-se como necessitado dos
bens espirituais. Disse Jesus:
―O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado‖.

Ao dizer isso, o Mestre se referia ao antigo mandamento de Moisés, que impedia toda e
qualquer atividade aos sábados, e que Ele, por sabedoria e por ser desprovido dequalquer preconceito, entendia a serventia dessa lei para determinada época, porém
queria agora mostrar aos homens que ―as experiências passadas são válidas, mas
precisam ser adequadas às nossas necessidades da realidade presente‖.
Nossos preconceitos são entraves ao nosso progresso espiritual.
tema da semana
Simplesmente um sentido
Capítulo 24, item 12
“... Admira-se, por vezes, que a mediunidade seja concedida a pessoas indignas e capazes de
fazer mau uso dela...”
“... a mediunidade se prende a uma disposição orgânica da qual todo homem pode estar
dotado, como a de ver, de ouvir, de falar...”
(Capítulo 24, item 12.)

Mediunidade é uma percepção mental por meio da qual a alma sutiliza,
estimula e aguça seus sentidos, a fim de penetrar na essência das coisas e das
pessoas. E uma das formas que possuímos para sentir a vida, é o ―poder de
sensibilização‖ para ver e ouvir melhor a excelência da criação divina.
Faculdade comum a todos, é nosso sexto sentido, ou seja, o sentido que
capta, interpreta, organiza, percebe e sintetiza os outros cinco sentidos conhecidos.
Nossa humanidade, à medida que aprende a desenvolver suas impressões
sensoriais básicas, automaticamente desenvolve também a mediunidade, como
conseqüência. Também conhecida como intuição ou inspiração, é ela que define
nossa interação com o mundo físico-espiritual.
As reflexões direcionadas para as áreas morais e intelectuais são muito
importantes, pois abrem contatos como ―perceber‖ ou com o ―captar‖, o que nos
permite ouvir amplamente as ―sonoridades espirituais‖ que existem nas faixas
etéreas, das diversas dimensões invisíveis do Universo.
Por outro lado, a mediunidade nunca deverá ser vista como ―láurea‖ ou
―corretivo‖, mas unicamente como ―receptor sensório‖ - produto do processo de
desenvolvimento da natureza humana.Foram imensos os tempos da ignorância, em que a ela atribuíam o epíteto de
―dádiva dos deuses‖ ou ―barganha demoníaca‖; na atualidade, porém, está cada vez
mais sendo vista com maior naturalidade, como um fenômeno espontâneo ligado a
predisposições orgânicas dos indivíduos.
Ver, todos nós vemos, a não ser que tenhamos obstrução dos órgãos visuais;
já as formas de ver são peculiares a cada sensitivo. Escutar é fenômeno comum; no
entanto, a capacidade de ouvir além das aparências das coisas e das palavras
articuladas é fator de lucidez para quem já desenvolveu o ―auscultar‖ das
profundezas do espírito.
Além do mais, a facilidade de comunicação com outras dimensões espirituais
não é dada somente aos chamados ―agraciados‖ ou ―dignos‖, conforme nossa
estreita maneira de ver. Como a Natureza Divina tem uma visão igualitária,
concedendo a seus filhos, sem distinção, as mesmas oportunidades de progresso, é
autêntica a sábia assertiva: ―Deus não quer a morte do ímpio‖,
12
mas que ele cresça
e amadureça dispondo da multiplicidade das faculdades comuns a todos, herança
divina do Criador para suas criaturas.
Por isso, encontramo-la nos mais diferentes patamares evolutivos, das
classes sociais e intelectivas mais diferenciadas até as mais variadas nacionalidades e
credos religiosos. Embora com denominações diferentes, a mediunidade sempre
esteve presente entre as criaturas humanas desde a mais remota primitividade.
A propósito, não precisamos ter a preocupação de ―desenvolver
mediunidade‖, porque ela, por si só, se desenvolverá. É imprescindível, entretanto,
aperfeiçoá-la e esmerá-la quando ela se manifestar espontaneamente. Nunca forçá-
la a ―acontecer‖, porque, ao invés de deixarmos transcorrer o processo natural, nós
iremos simplesmente ―fazer força‖, ou melhor, ―agir improdutivamente‖.
Em vista disso, treinamentos desgastantes para despertar em nós ―dons
naturais‖ é incoerente. Saber esperar o amadurecimento dos órgãos infantis é o que
nos possibilitou ver, falar, andar, ouvir, sentir, saborear ou preferir. Por que então a
mediunidade, considerada uma aptidão ontogenética do organismo humano,
necessitaria de tantas implicações e imposições para atingir a plenitude?

Ezequiel 33:11.
Aprofundando nossas apreciações neste estudo, encontramos, no ―dia de
Pentecostes‖,

uma das maiores afirmações de que são espontâneas as
manifestações mediúnicas e de que é natural seu despertar junto aos homens,
quando foram desenvolvidas repentinamente as possibilidades psicofônicas dos
apóstolos ao pousar ―línguas de fogo‖, isto é, ―mentes iluminadas‖ sobre suas
cabeças, sem que eles esperassem ou invocassem o fenômeno.
A sensibilização progressiva da humanidade é uma realidade. Ela se processa,
nos tempos atuais, de maneira indiscutível, pois, em verdade, ―o Espírito é
derramado sobre toda a carne‖,

tomando os efeitos espirituais cada vez mais
eloqüentes, incontestáveis e generalizados.

sentido real
Aprender a lidar com esse sentido.Esse nosso
aprendizado enquanto encarnados,
já que o mesmo existe latente em todos os seres.
Reconhecer nossa existência
física como passageira,
admitir que nossa
realidade é espiritual,
nos fará compreender que
a mediunidade faz parte
de nossas vidas num imenso
contexto. Sempre
seremos mediadores em qualquer dimensão.
Em breve tempo nossas crianças que já encarnam
nesse orbe terão muito desenvolvido esse sentido,
nascerão convivendo e compreendendo essa
realidade do Ser. Benditos sejam os pais que já nesse momento
apreendam sobre o assunto e passem para os seus filhos com naturalidade,
o que a muito tem sido tratado como um mal ou doença. Deus nos inspire pais e mães,
homens e mulheres comprometidos com a verdade, cansados que estamos de tantos enganos
cometidos.

Marluce Clemente da Cunha

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