A arte da aceitação
Capítulo 5, item 13
“O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que
encara a vida terrestre...”
“... contentar-se com sua posição sem invejar a dos Outros, de atenuar a impressão moral dos
reveses e das decepções que experimenta; ele haure nisso uma calma e uma resignação...”
(Capítulo 5, item 13.)
Aceitar nossa realidade tal qual é representa um ato benéfico em nossa vida.
Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal
da partida e realizar satisfatoriamente nossa transformação interior.
Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em
nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outra pessoa, vivendo em outro ambiente,
não teremos um bom contato com o presente e, conseqüentemente, não
depararemos com a realidade.
A propósito, muitos de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não
convivendo, porém, com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme
energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem
utilitários permanentes.
A atitude de aceitação é quase sempre característica dos adultos serenos, firmes
e equilibrados, à qual se soma o estímulo que possuem de senso de justiça, pois
enxergam a vida através do prisma da eternidade. Esses indivíduos retêm um
considerável ―coeficiente evolutivo‖, do qual se deduz que já possuem um
potencial de aceitação, porquanto aprenderam a respeitar os mecanismos da vida,
acumulando pacificamente as experiências necessárias a seu amadurecimento e desenvolvimento espiritual.
Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos
quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com
―atitudes de negação‖, que são em verdade molas que abrandam os golpes contra
nossa alma. São consideradas fenômeno psicológico de ―reação natural e instintiva‖
às dores, conflitos, mudanças, perdas e deserções e que, por algum tempo, nos
alivia dos abalos da vida, até que possamos reunir mais forças, para enfrentá-los e
aceitá-los verdadeiramente no futuro.
Não negamos por ser turrões ou teimosos, como pensam alguns; não
estamos nem mesmo mentindo a nós próprios. Aliás, ―negar não é mentir‖, mas
não se permitir ―tomar consciência‖ da realidade.
Talvez esse mecanismo de defesa nos sirva durante algum tempo; depois
passa a nos impedir o crescimento e a nos danificar profundamente os anseios de
elevação e progresso.
Auto-aceitação é aceitar o que somos e como somos. Não a confundamos
como uma ―rendição conformada‖, e que nada mais importa. De fato, acontece
que, ao aceitar-nos, inicia-se o fim da nossa rivalidade com nós mesmos. A partir
disso, ficamos do lado da nossa realidade em vez de combatê-la.
Diz o texto: ―O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas
provas pela maneira que encara a vida terrestre‖. Aceitação é bem uma maneira
nova de ―encarar‖ as circunstâncias da vida, para que a ―força do progresso‖
encontre espaços e não mais limites na alma até então restrita, pois a ―vida
terrestre‖ nada mais é do que o relacionar-se consigo mesmo e com os outros no
contexto social em que se vive.
Aceitar-se é ouvir calmamente as sugestões do mundo, prestando atenção
nos ―donos da verdade‖ e admitindo o modo de ser dos outros, mas permanecer
respeitando a nós mesmos, sendo o que realmente somos e fazendo o que achamos
adequado para nós próprios.
Em vista disso, concluímos que aceitação não é adaptar-se a um modo
conformista e triste de como tudo vem acontecendo, nem suportar e permitir
qualquer tipo de desrespeito ou abuso à nossa pessoa; antes, é ter a habilidade necessária para admitir realidades, avaliar acontecimentos e promover mudanças,
solucionando assim os conflitos existenciais. E sempre caminhar com autonomia
para poder atingir os objetivos pretendidos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

imagem do mês

imagem do mês

pase o que é?

Minha foto
varginha, MG, Brazil
programa de apoio ao sentimento espiritualizado